COLABORADOR
 
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O candidato à admissão no Seminário deveria ter idade mínima de 10 anos e nível escolar equivalente ao primeiro período do ensino fundamental. Havia exceções para alunos sem a escolaridade exigida, desde que aprovados em testes de suficiência aplicados pelos próprios padres professores do Seminário. Também como no meu caso, que já estava na 2ª série ginasial, candidatos de mais escolaridade tinham de retroceder às séries básicas do Seminário para aprimorar o seu conhecimento do Latim, fundamental para as atividades e ofícios religiosos, na época todos celebrados com aquele idioma. A educação no Seminário Menor de Mariana era muito tradicional e caracterizava-se pela disciplina moral e religiosa extremamente rígida. O seminarista devia respeito absoluto tanto aos colegas, mestres, superiores e funcionários do seminário como ao próprio corpo, sob pena de ser punido com castigos e privações. Os seminaristas ficavam internos no Seminário e permaneciam completamente isolados das pessoas e do noticiário do mundo. Tinham pouco ou quase nenhum contato com a sociedade ou sua família, a que só retornavam no período de férias escolares. Havia horário e local para tudo: missas, rezas, estudo, aulas, recreio, hora de levantar e dormir, refeições, higiene pessoal e esporte. Era exigida ordem absoluta na fila e nos locais de sala de aula, salões de estudo, na capela, no refeitório, no dormitório e mesmo quando o grupo se deslocava para participar de atividades externas.

Paulo Aníbal Walter pawlo@uai.com.br